quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Matéria prozudida para o jornal O Estado.

 

Autismo - Um mundo desconhecido

 

Autismo é um desvio comportamental que afeta principalmente a capacidade de comunicação do indivíduo.

 Por Sabrina Lima e Thaiane Moura


Autismo vem do grego “autós” que significa “de si mesmo”. E cientificamente fala DGD – Distúrbios Globais do Desenvolvimento. Em 1943, o psiquiatra americano Leo Kanner, acreditava que o autismo era causado por pais altamente intelectualizados, pessoas emocionalmente frias e com poucos interesses nas relações humanas da criança. Mas em 1944, o pediatra austríaco Hans Asperger, fala que o autista possui QI executivo maior que o verbal e atraso na aquisição da linguagem. Não é um distúrbio do contato afetivo, mas sim, um distúrbio do desenvolvimento. Com isso, a teoria de Kanner, mostrou-se incorreta.
O autismo é mais comum em meninos do que em meninas, na proporção de quatro meninos para cada menina. Geralmente, se manifesta por volta dos três anos de idade e os sinais persistem até a vida adulta, podendo ser controlado de acordo com o tratamento. A criança autista gosta de ficar sozinha, não abraça, tem aversão à toques e mudanças, evita olhar nos olhos das outras pessoas, é repetitiva em rituais, tem dificuldade com a comunicação verbal e não - verbal e alguns são agressivos. Ela escuta, entende, compreende e fala, mas não responde. Não por má criação ou “birra”, mas porque têm dificuldade de se expressar, então elas se “fecham” em um mundo imaginário onde os outros são estranhos. Sendo assim,o portador do autismo se isola,deixando de interagir socialmente e quando o assunto é desconhecido pelos pais fica mais difícil ainda diagnosticar o caso. Mas podemos, aos poucos, entender o mundo delas, porém, é preciso muito amor, dedicação, paciência e o tratamento adequado.
Aqui em Fortaleza, pode-se contar com a Casa da Esperança, uma instituição de referência na América Latina que já atua há quinze anos no tratamento do autismo. Gerenciada pela dra. Fátima Dourado – médica, diretora clínica e presidente da Casa da Esperança, teve cinco filhos, dois deles autistas. A Instituição, localizada na Rua Doutor Francílio Dourado, 11, bairro Edson Queiroz, apresenta uma estrutura com salas de aula, refeitório, consultórios para atendimento individual dos alunos, pátio, piscinas e jardim. Com o objetivo de reencaminhar as crianças autistas para a escola, e principalmente, para a vida fora da casa. A instituição não trabalha com internamento, mas dependendo do diagnóstico e do tratamento o autista poderá ficar um ou dois períodos na instituição sem limite de tempo. E ainda conta com uma equipe multidisciplinar: médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapia ocupacional e professores. Contando com aulas do EJA (matemática, português e história), além de oficinas de serigrafias, artesanato e computação. São duzentos funcionários cuidando de trezentos alunos. Conveniada com o SUS (Sistema Único de Saúde), por onde é encaminhado a maior parte dos alunos. A Casa da Esperança não faz uma divulgação mais ampla porque não tem estrutura e nem profissionais para isso. Além disso, já existem quinhentas crianças autistas na fila de espera sem previsão de quando serão atendidas.
Em outubro de 2007, foi inaugurada uma filial em Belém do Pará, na cidade de Ananindeua, com parceria da Associação de Amigos de Autista de Belém (AMAB). Já que em 2006, várias famílias saíram do seu Estado para o Ceará em busca de diagnóstico e tratamento para seus filhos. Não só os paranaenses buscam por tratamento na Casa da Esperança, como também de outros Estados, como o Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.
João Paulo, auxiliar administrativo da instituição, há mais de dois anos (que é autista) diz: “A pessoa autista é invariavelmente diferente, cada um tem seu jeito próprio, autismo não é uma doença é um jeito de ser, pois para nós vocês é que são os estranhos.” Conversamos com o psicólogo, Alexandre Santiago, que nos explicou que a família, ao procurar pelo o tratamento, passa por uma entrevista com a equipe multidisciplinar antes do diagnóstico. Segundo ele, “Existe uma preocupação com a família para que ela saiba como posicionar-se diante dos fatos. Para isso, são feitos os informativos e terapias com os pais para que eles amadureçam a mentalidade”, fala também da preocupação de inserir o autista na sociedade. “Que a vida deles seja autônoma, plena e independente, com o objetivo de inseri-lo na sociedade”, afirma.
Daniele Rebouças é fisioterapeuta, fala que o autismo é pouco discutido, mesmo na área da saúde ou não se discute. Segundo ela, na faculdade existem poucos trabalhos científicos que abordem sobre o assunto que ela própria desconhecia, afirma ainda que aprendeu como cuidar de crianças com Síndrome de Down e outros problemas psicológicos, mas não aprendeu como lhe dar com o portador do autismo, ela diz que o autismo a escolheu. “Todos são avaliados para saber se é necessário o acompanhamento. É preciso usar o lúdico, ganhar confiança e entrar no mundo deles. Ter aceitação, já que os autistas não aceitam o toque, pois minha função aqui é dar qualidade de vida a essas crianças.”
Enquanto os autistas são atendidos as mães trabalham na cooperativa com produtos artesanais, como bolsas e chaveiros que são produzidos por elas, ajudando no orçamento familiar. Bernadete de Sousa é mãe de uma criança de 10 anos, que hoje faz tratamento na Casa da Esperança. Segundo ela, antes de chegar lá, sua filha passou alguns anos fazendo tratamento para crianças surdas - mudas, ela diz que falava com sua filha e não havia resposta, quando a criança foi para uma escola, a pedagoga, observando o comportamento, alertou a mãe, pois, desconfiou que sua filha fosse portadora do autismo. Com o tratamento adequado o autista tem qualidade de vida, com o apoio da família para inseri- lo na sociedade. Por falta de conhecimento ainda há muito preconceito quando se fala no assunto.
Em 2009, a Instituição firmou uma parceria com a Coelce, onde poderá ser doado a Casa da Esperança qualquer valor a partir de R$1,00. A quantia doada constará mensalmente na conta de energia e o dinheiro arrecadado contribuirá para o melhor atendimento dos alunos da Casa. Para maiores informações acesse o site: www.autismobrasil.org ou entre em contato com a Instituição pelos telefones: (85) 3181 – 4873 / (85) 32783160. Agora que sabemos um pouco mais sobre o autismo, podemos colaborar para que a Casa da Esperança continue fazendo o seu trabalho e ajudar essas pessoas tão especiais, que vivem em um mundo imaginário, a enfrentar o nosso mundo cheio de desigualdade e preconceitos.


 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Nossa Realidade

Sabe porque adoro o cimena brasileiro? Porque os nossos filmes são reais, e não uma fantasia boba e comercial, a nossa realidade é diferente, e muita. O filme: "Uma onda no ar", mostra a realidade de quem, apesar dos pesares, sonha mais com os pés no chão. A realidade de jovens pobres, negros, jogados a sorte de uma sociedade, que afirma: "No Brasil não há racismo." No Brasil existe sim, gente racista, e hipocrita, em negar essa realidade. Veja o filme e reflita, ai você diz se concorda ou não comigo.